Patrick Leite

Autor

mar 17, 2020


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Sempre que se pensa em aumentar a lucratividade a primeira estratégia que vem à cabeça é a de aumentar o faturamento. Porém, em um setor que os preços são determinados pelo mercado, gerenciar bem a estrutura de custos, gastando menos e sendo mais eficiente nas compras, pode ser um caminho mais fácil para aumentar a margem de lucro do seu negócio.

No mundo globalizado, ganha mais quem gasta menos

Fonte: Cedro technologies

Com a globalização e as novas tecnologias de informação e comunicação (NTICs), a competitividade aumentou muito, pois produtores do mundo inteiro possuem acesso as técnicas, tecnologias e maquinários de última geração cada vez mais rápido. Nesse cenário, pequenas ações na gestão de custos podem fazer toda a diferença. Isso ocorre porque a margem de negociação do preço final é pequena para o produtor rural, por se tratar na maioria de commodities, que possuem seu preço determinado pelo mercado.

Mas, por onde começar?

A gestão de custos deve abranger toda a propriedade e deve estar bem disseminada na cultura do negócio, para que todos os sócios e trabalhadores atuem de forma integrada e efetivamente façam a gestão dos custos. Para isso, podemos seguir três passos principais:

Primeiro passo: Registrar todos os custos

Fonte: Iq.

Dentro da fazenda, os custos envolvidos com a produção e comercialização são diversos. Assim, um passo importante é registrar todos. Essa ação permite a identificação de onde estão sendo realizados os gastos e como eles podem ser reduzidos. É importante que eles sejam registrados de forma organizada. Uma dica é separá-los em custos diretos e indiretos:

Custos diretos: São os custos ligados diretamente com a produção, como custo de aquisição das sementes, dos fertilizantes, das máquinas e da mão de obra.

Custos indiretos: Também chamados de despesas, são aqueles que, apesar de não estarem diretamente ligados a produção, são necessários ao bom funcionamento da empresa, como serviços de manutenção e limpeza, serviços administrativos e serviços financeiros.

Segundo passo: Equalizar os gastos

Fonte: Adimplere.

A partir dos registros de todos os custos, o segundo passo é equalizar os gastos, de forma a aumentar a eficiência na utilização de cada um dos insumos. É importante ter em mente que ao gastar de forma ineficiente qualquer insumo ou fator de produção, como sementes ou combustível, é dinheiro que está sendo jogado fora.

Assim, equalizar nada mais é do que após o diagnóstico, ajustar os gastos as reais necessidades, não gastando nem mais nem menos que o necessário. Uma dica nesse sentido é a construção de indicadores que possam ser acompanhados ao longo do tempo:
Insumos: Aqui serão apresentados os gastos com cada um dos insumos;

Tributos: Aqui serão mostrados todos os impostos e taxas incidentes sobre a produção;

Mão de obra: Aqui serão registrados os gastos com mão de obra fixa e variável;

Capital de giro: Aqui deverá ser mostrada a necessidade de capital de giro;

Depreciação, Manutenção e Seguro: Aqui deverá ser discriminado os custos de depreciação, manutenção e seguros das instalações e maquinários;

Financiamento: Aqui será apresentada a previsão de reposição dos financiamentos, dívidas e os gastos com juros.

Terceiro passo: Comprar de forma estratégica

Fonte: Reamp.

Com os custos registrados e equalizados, o último passo é agir de forma proativa e estratégica nas compras. Isso significa comprar melhor e gastando menos. Ou seja, negociando a quantidade exata com os fornecedores, os melhores prazos de entrega e de pagamento. Se você sabe exatamente quanto precisa de cada item e quando, você naturalmente aumentará a sua capacidade de negociação, pois você saberá exatamente onde quer chegar. Para comprar de forma estratégica, você pode adotar algumas medidas:

– Realizar no mínimo três cotações de cada item com fornecedores distintos: Essas lhe garantem argumentos mais fortes para negociar;

– Calcular os custos por trás do preço, como frete, impostos e seguros: O preço é apenas a parte visível dos custos, por trás dele existem diversos custos que precisam ser investigados.

Fonte: Elaboração própria.

– Terceirizar algumas atividades específicas, como o crédito agrícola e a importação de insumos e fertilizantes: Empresas especializadas possuem maior experiência e capacidade de negociação, conseguindo melhores condições e de forma mais rápida. Nesse sentido, você ainda poupa seu tempo e foca no produto principal do seu negócio.

– Firmar contratos de longo prazo com entrega gradativa: Um contrato com prazo anual, por exemplo, pode te garantir preços e condições melhores, ao assegurar ao seu fornecedor que a demanda existirá. Além disso, você consegue se antecipar a oscilações de variáveis do mercado, como câmbio e taxa de juros. Ao mesmo tempo, você reduz estoque de matérias-primas, ao programar as entregas e pagamentos de forma fracionada ao longo do ano.

Automatização dos Sistemas de Gestão

Fonte: Gestão Empreendedora

Para automatizar esses processos, existem os sistemas integrados de gestão, conhecidos como ERP (abreviação do inglês Enterprise Resource Planning) ou planejamento de recursos empresariais. Esses permitem o monitoramento de todos os departamentos e fases da produção em tempo real e de forma dinâmica, com apresentação de indicadores, facilitando o acompanhamento e a análise dos resultados. Além disso, muitos desses permitem o monitoramento remoto via internet.

Hoje no mercado existem muitas empresas que fornecem esse tipo de produto e serviço. Duas opções consolidadas são o SAP e a Sankhya:

Fonte: Bia Group.

SAP: De origem alemã, é a líder mundial em softwares de gestão. Devido ao elevado custo de aquisição, é indicado para produtores de grande porte. A SAP possui soluções de ERP personalizadas para o setor do agronegócio.  

Fonte: Portal ERP.

Sankhya: É uma empresa brasileira, com sede na cidade de Uberlândia-MG. Em ascensão, possui softwares de gestão em diversos formatos e que atende diversos públicos. É indicado para produtores de médio e pequeno porte. Assim como a SAP, ela possui soluções de ERP específicos ao agronegócio.

Compreendido? Então, mãos à obra!

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